Domingo, 26 de outubro de 2008                                REVISTA O GLOBO                                                       Nº:222
Histórias de Detetives

            O desconforto nem sempre é o pior. Rafael Gomes, ex-figurante em programas de televisão e detetive há 14 de seus 41 anos, já teve que pular o muro de um casarão em Santa Teresa para escapar de um marido enfurecido. Rafael vinha investigando o sujeito a pedido da mulher dele, que suspeitava de traição. Para ter certeza, ele colocou uma micro-camera no banheiro do casal (o marido só atendia o celular lá dentro) e começou a seguir o cara. Dias depois descobriu que o tipo não só estava traindo a mulher como vinha desviando dinheiro da igreja em que trabalhava, com a ajuda da amante. No dia em que entregaria as provas para a cliente, o marido apareceu. Rafael escapou, mas passou a receber ameaças. Tudo muito diferente do que ele imaginava quando começou na profissão. Rafael vivia de participações em novelas e quadros como as “Olimpíadas do Faustão”  quando um conhecido, que fazia bico como investigador, surgiu com a proposta: tinha sido sondado para um trabalho, mas precisava viajar.

Se topasse substituí-lo, Rafael deveria seguir um homem a pedido da namorada dele, anotar tudo o que ele fazia e tirar fotos. Em uma semana ganharia R$ 2 mil. Achou tentador. Rafael flagrou o cara duas vezes – uma delas numa festa no Museu de Arte Moderna. Ligou para a cliente, ela fez questão de aparecer e rolou a maior baixaria. Com o dinheiro no bolso, Rafael seguiu para São Paulo. Fez um curso de investigação, voltou ao Rio, botou anúncio no jornal e mudou de profissão. Hoje é sócio agência Márcia e Rafael e, com a ajuda de câmeras ocultas, já flagrou babá batendo em criança, a empregada de um famoso goleiro fazendo a limpa no apartamento dele e o namorado de uma linda atriz da novela das oito pulando a cerca.