Agosto de 2002             Revista Semanal Informativa TUDO - n° 81             Págs. 24 a 31


Não seja o último a saber

     Nos últimos tempos, foram surgindo novas demandas de serviços, como a de casais que trabalham fora e querem saber como as babás tratam seus bebês. Ou a de pais que desejam saber se os filhos adolescentes estão envolvidos com drogas ou mantêm relacionamentos homossexuais. O grande filão do trabalho, no entanto, continuam sendo as suspeitas de infidelidade conjugal, responsáveis por 70% dos serviços encomendados aos agentes. No entanto, de cada dez pessoas que procuram um profissional, nove descobrem que estão mesmo sendo passadas para trás.
      Segundo eles (detetives), as mulheres são bem mais discretas que os homens quando estão tendo um caso extraconjugal. Muitas, em vez de sair com o amante à noite, horário em que é mais fácil levantar suspeitas, encontram-se com eles nas primeiras horas da manhã. Na esmagadora maioria das vezes, o escolhido é um colega de trabalho. O homem, porém, ainda trai mais que a mulher, de acordo com os agentes.
      Filhos na Mira - Os detetives também reúnem bom conhecimento sobre o envolvimento de adolescentes com drogas, um tipo de investigação cada vez mais procurado. "Há cinco anos, atendíamos no máximo a cinco desses casos por ano", recorda o empresário Detetive Rafael, sócio da Agência de Detetives Márcia e Rafael, do Rio de Janeiro. "Atualmente, são pelo menos quatro por mês. "Segundo Rafael, mais de 80% dos trabalhos confirmam a suspeita dos pais. Em grande parte das ocorrências, o adolescente encontra-se em uma fase bastante avançada do vício. "Metade dos responsáveis que fazem essa descoberta interna os filhos em clínicas especializadas em dependência química." revela.
       Seja nas investigações empresarias, seja para desvendar um adultério, os detetives têm a sua disposição um amplo aparato tecnológico que até alguns anos atrás só podia ser visto nos filmes do 007.

Os apuros e as aventuras dos agentes no mundo da espionagem
       Os detetives particulares procuram ao máximo ficar longe de barulho quando estão em ação. Com alguns anos de trabalho, porém, é inevitável que passem por algumas enrascadas.
       Com o carioca Rafael o risco foi de morte. Ele seguia um adolescente envolvido com drogas e, sem saber, entrou de carro num beco sem saída junto de uma favela. De repente, foi cercado por dez bandidos armados com fuzis e metralhadoras. Para escapar do cerco, usou uma informação que tinha obtido com o acompanhamento do adolescente e identificação de um dos alvos: o nome do traficante. "Disse que estava indo comprar drogas com o fulano e eles me liberaram", diz. "Minha carreira quase terminou ali."